Até pouco tempo atrás, a conversa sobre Inteligência Artificial (IA) nas empresas girava em torno de testes e promessas. Hoje, o cenário mudou. O estudo global Value of AI Report 2026, realizado pela SAP e Oxford Economics com 2.600 líderes de negócios, mostra que a tecnologia saiu da fase de experimentação e começou a trazer retornos financeiros claros.
O investimento médio global das empresas em IA subiu discretamente para US$ 28 milhões este ano. No entanto, a eficiência desse gasto aumentou de forma expressiva. As organizações esperam um retorno sobre o investimento (ROI) de 21% para este ano, acima dos 16% registrados no ano anterior. A projeção é que esse número alcance 38% em dois anos.
Abaixo, analisamos onde estão os maiores ganhos, o papel da IA agêntica e os gargalos reais que as empresas precisam resolver para capturar esse valor.
A IA agêntica — sistemas capazes de agir de forma autônoma para realizar fluxos de trabalho complexos — é o motor por trás das projeções de crescimento. Cerca de 83% dos executivos afirmam que essa tecnologia tem um potencial médio a muito alto de transformar seus negócios.
As expectativas de retorno financeiro com agentes de IA são altas:
• O ROI projetado para a IA agêntica nos próximos dois anos é de US$ 17,6 milhões por empresa.
• Esse valor representa mais do que o quádruplo das estimativas do ano passado, que eram de US$ 4,3 milhões.
Apesar do otimismo, o mercado ainda dá passos iniciais: apenas 3% das organizações se declaram totalmente preparadas para implantar e escalar esses agentes.
Atualmente, a IA apoia cerca de 30% das tarefas diárias nas empresas, índice que deve subir para 48% em dois anos. Porém, a forma como as empresas compram e implementam a tecnologia ainda é desorganizada.
A maioria das organizações (41%) ainda financia a IA de maneira fragmentada, ou seja, projeto por projeto, sem uma visão unificada. Apenas 17% adotam uma priorização estratégica e integrada para toda a empresa.
Essa falta de estrutura se reflete na liderança:
• Menos da metade das empresas (46%) tem um líder dedicado para coordenar a adoção de IA.
• Somente 52% possuem regras claras sobre como desenvolver e adotar novos casos de uso.
• Apenas 41% oferecem treinamentos práticos sobre os riscos e as capacidades das ferramentas.
Embora 69% dos líderes estejam satisfeitos com o retorno atual, mais de dois terços reconhecem que a IA ainda não entrega todo o seu potencial. Isso acontece porque as empresas enfrentam barreiras operacionais profundas.
Os dados são o combustível da IA, mas a prontidão das empresas nesse quesito piorou. Apenas 62% das organizações se consideram prontas em relação aos seus dados, uma queda frente aos 64% do ano anterior.
A falta de base sólida cobra o seu preço: 73% das empresas enfrentam problemas com dados incompletos, e 79% sofrem com atrasos, retrabalho ou acúmulo de tarefas causados por respostas incorretas ou de baixa qualidade geradas pela IA.
Sem ferramentas oficiais ou treinamento adequado, os funcionários buscam alternativas por conta própria. Cerca de 69% dos líderes admitem que a equipe usa ferramentas externas de IA (como ChatGPT ou Gemini) sem aprovação ou supervisão da empresa.
Esse uso não autorizado gera impactos diretos à segurança:
• 48% das empresas já sofreram vazamento de dados confidenciais ou exposição de propriedade intelectual.
• 54% relataram decisões tomadas com base em informações inconsistentes ou incorretas geradas por essas ferramentas.
Apenas 12% das empresas têm processos, frameworks e habilidades internas totalmente preparados para governar o uso de IA.
O problema se agrava com os agentes autônomos. Muitas empresas estão colocando agentes em operação antes de definir como controlá-los:
• 38% não possuem um fluxo que inclua supervisão humana nas decisões dos agentes.
• 37% não definiram controles de acesso e permissões para esses sistemas.
• Somente 44% mantêm um registro centralizado de todos os agentes ativos no negócio.
Gerar valor com Inteligência Artificial exige ir além da tecnologia. O retorno real acontece quando a IA deixa de ser uma ferramenta isolada e passa a funcionar integrada aos processos e dados centrais que já rodam o negócio.
Para que os agentes, os processos e as pessoas trabalhem em sintonia, as empresas precisam ajustar sua governança na mesma velocidade em que adotam as ferramentas. Sem regras claras, segurança de dados e capacitação das equipes, o investimento em IA gera apenas custos e riscos, em vez de resultados práticos.
Fonte: SAP
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